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Taxa de juros é um termômetro; quem está doente é o governo, que gasta demais, diz Zema à CNN

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse, em entrevista ao programa da CNN “Caminhos com Abilio Diniz” desta quarta-feira (17), que o Banco Central (BC) tem razão ao colocar a taxa de juros no estágio atual, por ela ser um termômetro.Na visão do governador, é preciso mexer na administração federal, que, segundo ele, está “doente” e gastando mais do que arrecada.“Eu diria que o Banco Central, o [presidente] Roberto Campos [Neto], têm razão. Porque a taxa de juros é como se fosse um termômetro. Você não tem que mexer no termômetro, você tem que mexer no doente, em quem está com febre. E quem está com febre é o governo que está gastando mais do que arrecada. A taxa de juros é só uma consequência.” No começo do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pela manutenção da taxa de juros – a Selic – em 13,75% ao ano.Foi a sexta vez seguida em que foi decidida a permanência da taxa. Assim, o patamar de juros continua no maior nível desde dezembro de 2016.PrivatizaçõesSobre privatizações, o chefe do Executivo mineiro reiterou ser favorável, explicando que o consumidor seria beneficiado no final.“Eu sou favorável às privatizações, porque quem vai ganhar no final é o consumidor. Nenhuma estatal tem agilidade. Hoje, [se] a Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais] vai fazer uma obra, ela está submetida à lei das licitações. Tem de contratar, muitas vezes, uma construtora que não tem qualidade no serviço, que atrasa as entregas, mas que ganhou a licitação”, afirma.“Na hora que você tem uma empresa privada, o tempo para fazer as coisas cai 80%. Em vez de levar um ano, às vezes leva dois meses”, diz Zema.Além disso, Zema entende que as privatizações viabilizam maior investimento e citou como exemplos as estatais mineiras de energia, saneamento e gás.“A Cemig precisa investir mais. A Copasa, que é de saneamento, precisa investir mais. A Gasmig, que é de gás, precisa investir mais. E quem é o controlador dessas empresas? Um estado que nem dinheiro para pagar folha tinha”, afirma.“O que dizer para investir? Para levar mais energia elétrica, mais gás, mais saneamento? No mundo, está sobrando dinheiro para investimento”, continua.O governador levantou outro questionamento: “Nós queremos que o Brasil leve, que Minas Gerais leve, 100 anos para levar energia e saneamento para os mineiros ou podemos fazer isso nos próximos cinco anos?”À CNN, Zema disse ainda desejar que todos os mineiros sejam bem atendidos. Entretanto, afirma que isso não pode acontecer por meio do Estado, já que ele está quebrado.“Temos que ser realistas: eu não quero dar emprego para amigo meu em estatal. Como eu falei: não tenho um parente, não tenho um amigo no estado, em nenhuma estatal. E quem teme essa privatização é quem quer dar emprego para a companheirada.”Romeu Zema, governador de Minas Gerais, em entrevista ao programa da CNN Caminhos com Abilio Diniz / Reprodução/CNNRelação com o governo federalPara Zema, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) havia uma melhor interlocução com o governo federal, com facilidade nas agendas em Brasília.Entretanto, diz, isso mudou na administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que, segundo ele, é preciso esperar mais para os encontros.Durante o segundo turno das eleições de 2022, o governador mineiro, que à época acabava de ser reeleito no primeiro turno, declarou apoio a Bolsonaro, justificando que acreditava muito mais na proposta do então presidente do que na de Lula.Agora, Zema expõe estar confiante de que a eleição seja apenas uma questão que já passou.Ele cita que o diálogo de Minas Gerais com o governo federal é importante por uma grande pauta: o acordo para reparar danos às vítimas do rompimento da barragem de Mariana (MG), que aconteceu em novembro de 2015.A tragédia deixou 19 mortos e causou graves danos ambientais para Minas e para o Espírito Santo.“Somos brasileiros, os mineiros idem, e merecemos consideração. E temos uma pauta gigantesca com o governo federal, que é o acordo de Mariana, que hoje só depende do governo federal para sair. Será a maior punição a uma empresa que poluiu, que destruiu o meio ambiente na história do Brasil e talvez até do mundo.”E complementou: “Nós mineiros estamos ansiosos aguardando esse desfecho que só depende do governo federal.”Aumento de salárioZema falou ainda sobre a aprovação no começo de abril, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), de um projeto de lei que aumenta em 298% seu salário, que passou de R$ 10.500 para R$ 41.845,49.O texto também amplia a remuneração do vice-governador, de secretários e secretários-adjuntos mineiros. A medida foi sancionada no começo deste mês.O aumento no salário do governador será escalonado em três anos:R$ 37.589,96 a partir de 1º de abril de 2023;R$ 39.717,69 a partir de 1º de fevereiro de 2024;R$ 41.845,49 a partir de 1º de fevereiro de 2025.A remuneração do vice-governador mineiro, Mateus Simões, passará de R$ 10.250 para R$ 37.660, também escalonado em três anos. Os secretários de Estado e secretários-adjuntos, por sua vez, terão aumento de 247%.O salário dos secretários, atualmente de R$ 10 mil, aumentaria para R$ 34.774. Os adjuntos receberão R$ 31.297.Conforme o governador, o aumento de seu próprio salário aconteceu exatamente para reajustar os ganhos dos secretários.“Eu tive de reajustar o salário dos meus secretários, porque eles só podem ter reajuste se o governador tem. Tem uma lei que fala que o secretário ganha 80% ou 90% do salário do governador. Eu não precisava de reajuste, mas meu secretariado precisa, porque eles ganhavam menos do que secretário de Saúde, de Educação de uma cidade de 10 mil habitantes”, explica.“Em Minas Gerais, no passado, nós tivemos um populismo que fez com que falasse: ‘não, os secretários vão ficar com os salários congelados’. Mas era um congelado entre aspas, porque eles passavam a ocupar cargos em conselhos de estatais, etc.”, afirmou Zema sobre o aumento dos salários.“O que eu estou querendo é dar transparência, falar: ‘o secretário de Saúde, de Educação de Minas ganha hoje a média do que ganha Goiás, Rio, Bahia e São Paulo’. Não é nem mais, nem menos. O que eu fiz foi colocar o salário em um patamar adequado.”Segundo Zema, foi um ajuste pequeno, que não afetou nem 0,1% do que o estado despende, mas que corrigiu uma antiga distorção.Com isso, ele explica que o governo contratará mão de obra qualificada.“Eu estava perdendo um secretário atrás do outro. Ele saia de lá para ganhar quatro, cinco vezes mais com a maior facilidade. Agora, eu consigo manter. Porque ele sabe que se for para a Bahia ou para outro estado, o salário está semelhante.” Compartilhe: