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Startup de Abu Dhabi quer ser a “Booking.com“ de viagens espaciais

Viajando a quase 29 mil quilômetros por hora, pode levar menos de 8,5 minutos para um foguete voar da superfície da Terra para a órbita espacial. Mas para a carga que está carregando, é uma jornada muito, muito mais longa.As missões espaciais de transporte de carga geralmente levam anos para decolar e custam milhões de dólares.Mas uma startup de Abu Dhabi espera mudar isso. A Precious Payload quer ser o “Booking.com para lançamentos de foguetes”, diz Andrey Maksimov, CEO e fundador da empresa, nascido na Rússia.“Semelhante a olhar para os resultados de pesquisa de um mecanismo de reservas, você pode ver todos os lançamentos de foguetes disponíveis comercialmente em todo o planeta”, explica Maksimov. Ele acrescenta que a plataforma, lançada em 2021, permite que as empresas planejem e gerenciem missões espaciais em uma única interface.O CEO espera que o Precious Payload possa simplificar um processo complexo e demorado, ajudando empreendedores e pesquisadores a planejar seus lançamentos de carga útil com facilidade e contribuindo para “a expansão da presença da humanidade no espaço”. Simplificando as remessas espaciaisAs missões espaciais normalmente requerem grandes equipes e consultas caras de especialistas do setor para garantir para atender a especificações rígidas, diz Maksimov.O Precious Payload agiliza o processo reunindo dados de agências espaciais e lançamentos de foguetes em todo o mundo.O CEO destaca que sua equipe analisou os padrões de engenharia e os protocolos regulatórios entre agências espaciais internacionais, como a Nasa e a Agência Espacial Europeia, e criou sua própria lista de especificações, garantindo que os lançamentos cumpram os regulamentos de onde quer que decolem.Essa abordagem permitiu à companhia reduzir de seis a 10 meses o tempo médio de lançamento da missão, aponta Maksimov, acrescentando que sua meta é realizar lançamentos em “um ano e US$ 1 milhão”.Conectando clientes em todo o mundo a lançamentos comerciais e governamentais, a empresa recebeu reservas de 30 clientes em 12 países.Além dos satélites, a Precious Payload está trabalhando com uma variedade de cargas, incluindo as de fabricação, biológicas e até mesmo de arte e marketing, como o bastão de selfie espacial da companhia alemã DCubeD, que ajuda as empresas a tirar fotos de seus satélites no espaço.Preenchendo um nichoHá uma lacuna no mercado para esse serviço de “intermediário”, diz Wendy Whitman Cobb, especialista em política espacial e professora de estratégia e estudos de segurança na Escola de Estudos Aéreos e Espaciais Avançados da Força Aérea dos EUA.Whitman Cobb, que não conhece a Precious Payload, vê “um lugar para o serviço que eles estão oferecendo”. Em diferentes agências espaciais, os processos logísticos e burocráticos podem variar drasticamente e muitas vezes são opacos e complexos, diz à CNN.Serviços como o Precious Payload podem ajudar pequenas empresas e pesquisadores que não estão familiarizados com a logística espacial. “Vamos ver mais necessidade disso nos próximos anos, à medida que essa tecnologia se torna mais acessível para pessoas que nunca poderiam pagar por isso anteriormente”, explica.O custo de envio de carga para o espaço diminuiu mais de 95% nas últimas quatro décadas. Enquanto empresas como a SpaceX de Elon Musk espalham o custo de enviar uma carga ao espaço por meio de sua plataforma “rideshare”, Whitman Cobb diz que o modelo da Precious Payload, que combina todos os elementos de uma missão espacial, incluindo seguro e aprovação regulatória, é “uma coisa única que nunca vi antes.”Andrey Maksimov espera que o Precious Payload ajude mais pesquisadores e empreendedores a acessar o espaço / Reprodução/Precious PayloadUm balcão únicoMaksimov fundou a Precious Payload nos Estados Unidos em 2017, levantando fundos de investidores do Vale do Silício. Porém, em 2020 decidiu instalar a sede da empresa em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.“Havia uma escolha: ser o peixinho em um lago muito grande (nos EUA); ou voltar para o Oriente Médio… e ser um dos únicos peixes na lagoa”, conta Maksimov.Os Emirados Árabes Unidos são relativamente recém-chegados à indústria espacial, estabelecendo sua agência governamental em 2014.No entanto, já obtiveram sucesso em seu ambicioso programa para Marte, tornando-se o quinto país a chegar ao planeta vermelho com sua sonda de 2021.No ano passado, anunciou um fundo de AED 3 bilhões (US$ 820 milhões) para apoiar as empresas dos Emirados e internacionais “inovadoras” que trabalham no setor espacial, como parte de seus esforços para diversificar sua economia.Como pioneiro, Maksimov diz que espera aproveitar esse apetite por expansão, acrescentando que a localização de Abu Dhabi deu à sua empresa acesso a vários mercados, permitindo-lhe levantar US$ 2,1 milhões em financiamento de investidores nos EUA, Oriente Médio e Europa.A plataforma de reservas é apenas o primeiro passo para o CEO. Ele planeja tornar a companhia um balcão único para missões espaciais, expandindo-a para incluir serviços terrestres e até mesmo o desenvolvimento de satélites.“Há um futuro inevitável em que milhões de pessoas trabalham e vivem no espaço”, diz Maksimov. “Quero construir o conjunto de ferramentas que permitirá aos futuros empreendedores estimar o que será necessário para lançar (sua carga útil) e resolver seus problemas lá na sala de reuniões”, completa.Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.versão original Compartilhe: